“As imagens, assim como as histórias, nos informam. Aristóteles sugeriu que todo o processo de pensamento requeria imagens. ‘Ora, no que concerne a alma pensante, as imagens tomam o lugar das percepções diretas; e, quando a alma afirma ou nega que essas imagens são boas ou más, ela igualmente as evita ou as persegue. Portanto a alma nunca pensa sem uma imagem mental’. Sem dúvida, para o cego, outras formas de percepção, sobretudo por meio do som e do tato, suprem a imagem mental a ser decifrada. Mas, para aqueles que podem ver, a existência se passa em um rolo de imagens que se desdobra continuamente, imagens capturas pela visão e realçadas ou moderadas pelos outros sentidos, imagens cujo significado (ou suposição de significado) varia constantemente, configurando uma linguagem feita de imagens traduzidas em palavras e de palavras traduzidas em imagens, por meio das quais tentamos abraçar e compreender nossa própria existência. As imagens que formam nosso mundo são símbolos, sinais, mensagens e alegorias. Ou talvez sejam apenas presenças vazias que completamos com o nosso desejo, experiências, questionamentos e remorsos. Qualquer que seja o caso, as imagens, assim como as palavras, são a matéria de que somos feitos.”
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MANGUEL, Alberto. Lendo imagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. Pág.21.
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