sábado, 25 de outubro de 2025

 

tenho um relógio. ele é bem lindo e meu. uma flor de girassol, feito de casquinhas de ovo, com os ponteiros pretos. não é perfeito. e é. fica em cima da porta, no meio da casa. já tive muitas casas e alguns relógios. este é sempre o mesmo, da mesma casa. a minha. o guardo batendo. barulhento e irritantemente luminoso. Ele sabe quem eu sou e mantém o ritmo. Se me esqueço ele desperta. mas, me pergunto o que acontece quando um relógio para de bater. tic-tac. tic-tac. tic....tac. tic..... será que algo fica suspenso no ar? algo em estado de espera. algo que poderia seguir. que rumina um novo momento para continuar. ou algo que segue se movendo, como a lei da física. infinitamente. não sei. eu gosto do silêncio. mas deste silencio, em particular, olho com desconfiança. ele tem um tempo certo: trocar a pilha, ajustar a hora, maturar, recuperar o fôlego. se for longe demais fica parecendo mesmo que algo acabou. definitivamente.

B.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

ontem ela me mandou fotos do mar. ah! o mar, amar. era a miragem de uma janela, ou sacada talvez. um recorte donde se via o azul cintilante. um azul sem fim. emoldurado por pequenas manchas brancas. quase ouvi o som das ondas quebrando. não, talvez tenha sido só um susssurro. o som dos nossos fuxicos. dos segredos. e de memória também ouvi o som da sua risada. uma risada cheia, de verão. o som da nossa vida pelo meio. nem no início, nem no fim. bem aonde a gente se encontra.

B.