tenho
um relógio. ele é bem lindo e meu. uma flor de girassol, feito de casquinhas de
ovo, com os ponteiros pretos. não é perfeito. e é. fica em cima da porta, no
meio da casa. já tive muitas casas e alguns relógios. este é sempre o mesmo, da
mesma casa. a minha. o guardo batendo. barulhento e irritantemente luminoso. Ele
sabe quem eu sou e mantém o ritmo. Se me esqueço ele desperta. mas, me pergunto
o que acontece quando um relógio para de bater. tic-tac. tic-tac. tic....tac.
tic..... será que algo fica suspenso no ar? algo em estado de espera. algo que
poderia seguir. que rumina um novo momento para continuar. ou algo que segue se
movendo, como a lei da física. infinitamente. não sei. eu gosto do silêncio.
mas deste silencio, em particular, olho com desconfiança. ele tem um tempo
certo: trocar a pilha, ajustar a hora, maturar, recuperar o fôlego. se for
longe demais fica parecendo mesmo que algo acabou. definitivamente.
B.