quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 Domingo chuvoso, poucos momentos de silêncio exterior. Por dentro, nas minhas faltas de silêncios, juntas na mesma gaveta de viagens e desejos; estão  arrumações , consertos , prioridades. Eu mesmo pasmo: classifico por prioridades, funciona? Não. 

Trabalho, leio, estudo, brinco de artesanato, falo com flores, canto sozinha, viajo...

Mas o desejo mais latente, inerente e jamais construído e efetuado, são 10 minutos de preguiça. 

Aquela preguiça onde a alma vagueia a lugar nenhum. Talvez seja essa leveza, pureza , mansidude e quietão que a maior prioridade não se inquiete  a buscar.


V.

sábado, 25 de outubro de 2025

 

tenho um relógio. ele é bem lindo e meu. uma flor de girassol, feito de casquinhas de ovo, com os ponteiros pretos. não é perfeito. e é. fica em cima da porta, no meio da casa. já tive muitas casas e alguns relógios. este é sempre o mesmo, da mesma casa. a minha. o guardo batendo. barulhento e irritantemente luminoso. Ele sabe quem eu sou e mantém o ritmo. Se me esqueço ele desperta. mas, me pergunto o que acontece quando um relógio para de bater. tic-tac. tic-tac. tic....tac. tic..... será que algo fica suspenso no ar? algo em estado de espera. algo que poderia seguir. que rumina um novo momento para continuar. ou algo que segue se movendo, como a lei da física. infinitamente. não sei. eu gosto do silêncio. mas deste silencio, em particular, olho com desconfiança. ele tem um tempo certo: trocar a pilha, ajustar a hora, maturar, recuperar o fôlego. se for longe demais fica parecendo mesmo que algo acabou. definitivamente.

B.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

ontem ela me mandou fotos do mar. ah! o mar, amar. era a miragem de uma janela, ou sacada talvez. um recorte donde se via o azul cintilante. um azul sem fim. emoldurado por pequenas manchas brancas. quase ouvi o som das ondas quebrando. não, talvez tenha sido só um susssurro. o som dos nossos fuxicos. dos segredos. e de memória também ouvi o som da sua risada. uma risada cheia, de verão. o som da nossa vida pelo meio. nem no início, nem no fim. bem aonde a gente se encontra.

B. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

na rua onde trabalho é primavera. não sei dos outros lugares, nem dos outros tempos. não sei sobre os outros trabalhos, nem sobre as outras pessoas. não sei nada sobre flores, nem sobre os bichinhos que crescem ao redor delas. não sei nada sobre o lugar onde trabalho e nem sobre sua primavera. não preciso saber. não quero saber. eu quero só ser primavera, no lugar onde eu trabalho. quero ser primavera com sol, com brisa calma e novidade. quero ser primavera o ano todo no lugar onde eu trabalho. 

B. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

difícil dizer se é a angustia que toma conta de mim,  ou se eu me apeguei tanto nela, que até canção de ninar estou a sussurrar no ouvido dela; e  o fato : nenhuma de nós duas dorme.
V.